segunda-feira, 16 de março de 2009

A Bíblia

UM LIVRO INSPIRADO
A Bíblia nasce na tradição, antes ela era entendida como separada da Sagrada Escritura.
A Bíblia não é um livro de história, mas sim um livro de mensagens de fé. Podemos dizer que Revelação e Sagrada Escritura andam juntas. Ela foi inspirada por Deus, mas amparada na fragilidade humana. Em 2TM 3,16 – diz: “Toda a Escritura é inspirada por Deus”, portanto sagrada. Assim sendo, a grande inspiração que esses escritos exercem no povo é a autoridade adquirida pela fé. Esta tem como objetivo, conduzir a humanidade para Cristo. “As pessoas que relataram os textos bíblicos, escreveram tudo o que Deus queria que escrevesse e só o que Ele queria”.
UM LIVRO INERRANTE
Na Bíblia não há erros na mensagem.
Pela fé acreditamos em todos os relatos, pois seus livros são inspirados no Espírito Santo de Deus. Seus erros são devidos às limitações de cultura, língua e etc... Com o Concílio Vaticano II e a Constituição sobre a Revelação Dei Verbum, a natureza da verdade na Escritura, foi mostrada. Foi determinada a dimensão e o nível nos quais são especificado o valor da verdade das afirmações literais escritas.
De natureza teológica a finalidade da Bíblia vem a ser a nossa salvação.
UM LIVRO CANÔNICO
É um livro canônico porque estabelece critérios na analise e no julgamento da fé que possuímos. O Cânon foi sendo constituído ao longo da história através de documentos, pergaminhos e etc... Para nós católicos a Bíblia é constituída de 73 livros. O Antigo Testamento e o Novo Testamento são livros sagrados e canônicos. A Unidade do Cânon é reflexo da unidade da consciência eclesial que se reconhece objetivamente nele. O Cânon então passa a ser o conjunto de livros que a Igreja pós-apostólica reconhece como inspirado e lhe fornecem critérios autênticos para sua fé e maneira de agir a partir da dupla perspectiva:
- projeto salvador de Deus
- Consciência da Igreja que amadureceu com a comunidade.
Marcia Calmon

Como você definiria o cristianismo, a sua religião, em comparação com as outras religiões que você conhece?


Antes de tudo ser cristão é crer na ressurreição, é seguir Jesus, é crer que Jesus está vivo. O cristão está e estará sempre comprometido com os pobres e com os marginalizados.
O cristianismo vem a ser a centralidade da pessoa de Jesus, como revelador do Pai e do Espírito. No cristianismo, o cristão é convidado a assumir a vida e a proposta de Jesus. Religião significa religare, ou seja, quando se faz uma conexão entre o humano e Aquele transcendente. Algumas pessoas dizem não ter religião por não acreditarem naquilo que não vêem, naquilo que não podem tocar, naquilo que não é palpável, mas muitas das vezes têm uma religiosidade fantástica, outros, no entanto se dizem religiosos e não são cristãos.
Eu digo que sou religiosa pq acredito no Cristo ressureto, no Deus do cristianismo, que está acima, ao meu lado e que me fala.
O cristianismo é a religião da Revelação de um projeto de libertação e salvação; ela está fundamentada na manifestação de Deus na história do homem, primeiro através do povo de Israel e depois definitivamente em Jesus Cristo, que surgiu no meio desse povo como o Messias. Jesus é o centro do Cristianismo

sexta-feira, 13 de março de 2009

Divindade de Jesus Cristo



O tema da divindade de Jesus Cristo e, por extensão, da revelação entre o Pai e o Filho nos textos neotestamentarios, é serio e delicado. Assim, impõe uma reflexão de igual seriedade e profundidade. O que está em jogo é simplesmente todo o edifício da nossa fé e a concepção da nossa salvação.
A) Se Jesus Cristo não fosse Deus, suas palavras seriam representação de Deus, mas não seriam divinas. As palavras de Jesus Cristo equivaleriam às palavras de Buda, Confúcio, Maomé. Suas ações, paixões e paixão seriam padecidas por causa de Deus, mas não padecidas por Deus mesmo, o que faz uma grande diferença em termos teológicos. Pois, se Deus não tocou por dentro a vida, a morte e o sofrimento, nossa salvação fica seriamente comprometida e, até, questionada. No entanto, a recusa da afirmação direta Jesus Cristo é Deus poderia ter sentido e razão teológica se significasse e implicasse o desejo de dizer: JESUS É PLENAMENTE HOMEM; ou JESUS NÃO É DEUS COMO O PAI É DEUS; ou ainda DEUS É DEUS Também na boca e no coração de Jesus Cristo. Nos textos neotestamentarios, vemos claramente que os evangelistas tiveram cuidado de mostrar sempre que Jesus não se confundia e nem se superpunha ao Pai, mas que era uma pessoa diferente dele.
B) Dizer simplesmente Jesus é Deus, sem supor a humanidade do próprio Jesus, pode ser herético, pois significa negar todo o processo da revelação e da salvação. Se não fizermos nenhuma distinção, se não reconhecermos nenhuma alteridade, nenhuma diferença entre as pessoas divinas – se afirmarmos equivalente e simetricamente Jesus é Deus, assim como afirmamos o Pai é Deus – acabaremos por afirmar e identificar Jesus é o Pai, comprometendo nosso entendimento do Novo testamento. Não podemos esquecer como diz a prof. Maria Clara Bingemer que Deus não é predicado de Jesus. Nele, Deus é sujeito.
As razões da nossa dificuldade estão talvez no habito que temos de pensar a unidade pessoal como identificação, abolindo ou excluindo a alteridade? Como a unidade pode subsistir em e com 3 pessoas, sem que estas se identifiquem? Mas essa identificação não implica necessariamente uma uniformização, trata-se de uma identificação no amor que, pelo contrario, inclui as diferenças e delas se enriquece. A teologia do Novo Testamento dá bom testemunho disso, uma vez que toda ela é cristologica, centrada em Cristo. A linguagem sobre Deus implica a linguagem sobre Cristo Por outro lado, a Cristologia do Novo Testamento é teocêntrica. Ainda assim, como é possível afirmar Jesus Cristo é Deus? Deus no Novo testamento é o Pai de Nosso Senhor Jesus cristo. Jesus Cristo é o Filho de Deus que nos salva. Ora, se Jesus Cristo é Deus, Deus é um de nós, está no meio de nós. E seu Reino, seu projeto, sua utopia não são coisas celestes, longínquas, inatingíveis. Ao contrario, já estão no meio de nós e fazem parte de nossa vida e de nossa historia.
( Prova de Cristologia - Marcia Calmon)

terça-feira, 10 de março de 2009

O Pecado

A existência do pecado se caracteriza pelo fechamento na própria subjetividade, e pela ruptura das 4 relações fundamentais. A existência de Jesus Cristo é vivida na abertura dessas 4 relações que são elas: Com Deus, com o meio ambiente, com o outro e com a gente mesmo. Fechado em si mesmo o pecador rejeita o outro como outro,relacionando-se de maneira instrumentalizadora e coisificante. Reduz também a mera instrumentalização o relacionamento com o meio ambiente, incapaz é de perceber o seu rico valor simbólico e opta por viver na mentira em relação à própria realidade, uma vez que falsifica as relações básicas do ser humano. Seguindo a tradição eclesial, o pecado é falta de amor. E pode ser entendido como deturpação do sentido do Senhorio de Deus na criação. Ele é desumanizante porque desfaz as relações humanizantes das 4 dimensões de relacionamento humano, e na medida em que é rejeitada a proposta do Deus da Vida e do Amor a respeito do que deveria ser a humanização em conformidade com Jesus Cristo. O pecado afeta nossas vidas, porque nos fechamos ao Dom do Amor de Deus à nossa salvação. É aí que reside o carater mais profundamente desumano do amor.

quinta-feira, 5 de março de 2009

A Missão de Jesus


A missão de Jesus é anunciar a Boa Nova aos pobres (Lc 4,18). Dentro da Comunidade de Jesus, porém, havia algo novo que a diferenciava dos outros grupos e que dava consistência ao anuncio da Boa Nova. Era a atitude ante os pobres e marginalizados.
Jesus vive como pobre. Não possui nada para si, nem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça (Lc 9,58). Manda escolher: ou Deus, ou o Dinheiro! (Mt 6,24). E quando se trata de administrar os bens, é preciso fazê-lo com eficácia, a serviço da vida.
Jesus oferece um lugar aos que não têm lugar na convivência humana. Acolhe os que não são acolhidos: os imorais: prostitutas e pecadores (Mt 21,31-32; Lc 7,37-50; Jô 8, 2-11); os hereges: pagãos e samaritanos (Lc 7,2-10; 17,16; Mc 7, 24-30; Jô 4, 7-42); os impuros: leprosos e possessos: (Mt 8, 2-4; Lc 17,12-14; 11,14-22; Mc 1,25-26; 41-44); os marginalizados: mulheres, crianças, doentes de todo tipo; os pobres: o povo e os pobres (Mt 5,3; Lc 6,20-24; Mt 11, 25-26). Jesus anuncia o Reino para todos, não exclui ninguém. Mas anuncia a partir dos excluídos. Cada um de nós pelo simples fato de nascer neste mundo, nasce condicionado de muitas maneiras. Condicionamentos que ninguém escolhe, mas que afetam a vida de alto a baixo. Para muitos, todos estes condicionamentos são dores permanentes em suas vidas. Jesus assumiu estes condicionamentos e os assumiu onde pesam mais, isto é, no meio dos pobres. “Sendo de condição divina, esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, um no meio de muitos. Sendo rico se fez pobre, filho de carpinteiro (Mt 13,55)”.
Uma das maneira usadas, foram as Bem – Aventuranças,(Mt 5, 1 a 10) que vem a ser um resumo e ao mesmo tempo a melhor chave de leitura para as palavras de Jesus no Sermão da Montanha. Na sua pregação Jesus anuncia as bem-aventuranças como caminho a ser percorrido rumo ao Reino do Céus. Jesus percorreu esse caminho até a cruz, finalizando com a glória da Ressurreição, portanto, as bem-aventuranças são a renovação das promessas que Deus fez ao povo.
Jesus atualiza a promessa feita a Abraão, na síntese das bem-aventuranças está em “ FELIZES OS POBRES EM ESPÍRITO PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS” juntamente com “ FELIZES OS QUE SÃO PERSEGUIDOS POR CAUSA DA JUSTIÇA, PORQUE DELES É O REINO DOS CÉIS”, pois o pobre é aquele que clama pela justiça social, o que não tem voz nem vez na sociedade e mesmo assim persevera na sua fé em Deus, acreditando na possibilidade da realização da promessa. Nelas descobrimos a felicidade dos pobres, as propostas de Jesus para a construção do Reino de Deus, os alicerces para a nova sociedade. A melhor tradução para Bem – Aventurança é felicidade. Não qualquer felicidade, mas uma felicidade que o próprio Deus oferece e que ninguém pode tirar!
A partir das palavras de Jesus descobrimos o tipo de gente que encontra a felicidade no reino de Deus: os pobres, os mansos, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os de coração puro, os pacíficos, os perseguidos por causa do Reino. Deus faz sua opção pelos pequenos, pelos pobres, aqueles que nada são aos olhos do mundo. A felicidade para essas pessoas surge nas conseqüências desta escolha. Nos sinais da presença de Deus na vida das pessoas. Elas terão o Reino, que vai se revelar em coisas muito concretas: o fim das maldades causadoras de dor e sofrimento, posse da terra, a prática da solidariedade e da fraternidade, da justiça, a descoberta de uma nova experiência de deus, revelado como Pai, que une a todos com os laços da comunidade.
Nas Bem – Aventuranças encontramos a chave da felicidade proposta por Jesus. A felicidade de cada pessoa está na possibilidade de recomeçar a vida construindo relacionamentos novos, numa perspectiva nova.


Outra maneira de Jesus anunciar o Reino era e ainda é, através das parábolas. Em Lc ( 16, 1-9) Jesus conta aos seus discípulos a parábola do Administrador Infiel. Segundo os costumes, tolerado na Palestina naquela época, dizem, o administrador tinha o direito de conceder empréstimo com os bens do seu senhor. E, como não era remunerado, ele se indenizava aumentando, no recibo, a importância dos empréstimos. Assim na hora do reembolso ficava com a diferença como se fosse seu honorário ou seu juro. No caso da parábola, sua desonestidade, portanto, não consistia na redução de dívidas devidas ao patrão, mas nas ações fraudulentas anteriores que provocaram a sua demissão. Devemos observar, antes de tudo, que esta parábola é uma parábola de contraste, parábola em que o Senhor propõe umas imagens negativas, hediondas, que, por contraste, significa algo positivo e belo. Assemelha-se ao negativo de uma fotografia, que deve ser revelada, de tal modo que os respectivos traços pretos se tornarão brancos. Há outras parábolas deste gênero no Evangelho: Em Lc 18 1-8 o juiz cínico é figura, por contraste, do Senhor Deus (que é o contrario do cinismo); em Lc 11, 5-8 o amigo comodista é símbolo do próprio Deus (o Amigo que primeiro nos amou; cf 1 Jo 4,19; em Lc 11,11-13 o pai da terra, deficiente como é, simboliza o Pai do Céu (que é perfeito). —No caso de Lc 18; 1-9 Jesus propõe um homem que é fraudulento e leviano, fútil; um dia leva um susto, que o obriga a pensar sobre o sentido da vida; convertem-se então, nos poucos dias que lhe restam, da futilidade e insensatez para a sabedoria e habilidade, sem, porém deixar de ser desonesto. Em outras palavras: temos a história da fraudulência leviana que se converte em fraudulência atenta e sábia, em que conseqüência de um susto que ainda lhe deixou poucos dias para se converter. Ora Jesus nos diz que essa estória é imagem do que nós devemos fazer, nós que queremos ser filhos da luz e não filhos das trevas. Saibamos aproveitar os sustos que a providencia permite em nossa existência a fim de nos convertermos à sabedoria, sensatez e profundidade do coração).
A Parábola do Administrador ensina-nos a olhar os bens deste mundo com sabedoria, isto é, a partir da eternidade ou à luz do definitivo, a fim de não sermos surpreendidos pela morte. Acrescenta, porém, que após o susto, ainda há um prazo para a conversão e o recomeço: Deus é paciente e misericordioso; antes de aplicar a justiça definitiva, Ele concede oportunidades de emenda. Essa parábola vem a ser uma exortação à conversão, conversão não tanto do pecado grave para a virtude levianamente praticada para a virtude exercida com pleno fervor.
Esta parábola nos ensina a aproveitar os bens que temos, não necessariamente o dinheiro, mas outros dons de Deus...Enquanto é tempo, enquanto somos peregrinos à luz desta vida terrestre. Ela ensina também que devemos tirar proveito dos sustos e reveses desta vida ou até mesmo do pecado. Deus pode permitir o pecado para que despertemos da inconsciência para um comportamento mais definitivo e coerente. Tudo é graça no plano de Deus; tudo pode servir para a nossa salvação. O grande mal que pode acometer um cristão é a mediocridade de vida, é a acomodação sem dinamismo. Para Deus, só pode haver uma resposta condigna. Doar-se totalmente, sem regateios. Diz o Senhor: “Conheço a tua conduta: não é frio nem quente. Oxalá fosse frio ou quente! Mas, porque és morno, estou para te vomitar de minha boca”.
(Prova de Revelação - Marcia Calmon)